Tão importante quanto ter uma vida de longevidade, é ter medidas que façam com que as pessoas desfrutem de uma boa qualidade de vida. Um estudo realizado na Austrália com mais de 11 mil mulheres entre 40 e 50 anos avaliou as associações entre padrões longitudinais de atividade física ao longo de 15 anos e qualidade de vida relacionada à saúde física e mental, descobrindo que essa faixa etária (meia-idade) é o momento crucial para virar a chave do estilo de vida —quando ainda não iniciou — e cumprir as diretrizes de atividade física de pelo menos 150 minutos por semana.

As mulheres que afirmaram ter seguido essas recomendações de forma consistente durante 15 anos tiveram melhores resultados na saúde física do que as mulheres que não o fizeram (e isso já era previsível). Entretanto, é importante reforçar que mesmo as participantes que não praticavam exercícios regularmente antes da meia-idade se beneficiaram com a nova rotina

Tanto as mulheres que não realizavam exercícios físicos antes da meia-idade e implementaram uma nova rotina como as que realizavam, tiveram resultados satisfatórios nos testes físicos tendo praticamente os mesmos resultados, com a diferença de 3 pontos percentuais à frente das mulheres que nunca ou raramente cumpriram as diretrizes de exercício antes da meia-idade.

 

Como foi a pesquisa?

Os pesquisadores utilizaram dados coletados em intervalos de 3 anos (1998 a 2019) de 11.336 participantes do estudo longitudinal Australiano sobre Saúde da Mulher (ALSWH) —corte de nascimentos de 1946 a 1951. 

Os resultados primários foram as pontuações do resumo dos componentes de saúde física (PCS) e mental (MCS), e as voluntárias foram divididas em dois grupos de intervenções:

  • Grupo 1. Deveria atender às diretrizes de atividade física da Organização Mundial da Saúde (OMS) de forma consistente ao longo do “período de exposição” de 15 anos (2001 a 2016; quando as mulheres têm idade entre 50 a 55 e 65 a 70 anos. Atividade física avaliada a cada 3 anos).
  • Grupo 2. Não cumprir as diretrizes no início do período de exposição, mas começar a cumprir as diretrizes aos 55, 60 ou 65 anos. 

O grupo 1, comparado ao grupo 2, foram associados a benefícios de saúde física três pontos mais altos. O que reforça a ideia de que nunca é tarde para começar a treinar. Os resultados da pesquisa sugerem que as mulheres devem se manter ativas durante toda a meia-idade, idealmente aumentando os níveis de atividade para cumprir as diretrizes até os 55 anos, para obter o máximo de benefícios para a saúde física mais tarde na vida. 

Para contextualizar os três pontos percentuais, os investigadores na Austrália explicam que a osteoartrite geralmente resulta numa diferença de 10 pontos nas pontuações de funcionamento físico de uma pessoa em comparação com aqueles sem ela. Uma meta-análise recente sugere que mesmo apenas um ponto de diferença neste teste de atividade física pode reduzir o risco de mortalidade na população em geral.

 

Nunca é tarde para começar

Os pesquisadores reforçam ainda que as descobertas sugerem que conseguimos ter uma boa qualidade de vida relacionada à saúde física por volta dos 70 anos, mas, para isso, devemos iniciar até a meia-idade pensando em uma forma de “compensação” pelos longos anos inativos. Essa descoberta apoia iniciativas de saúde pública com incentivo à atividade física com mensagens como “nunca é tarde para ser ativo”.

Vale reforçar que as mulheres do estudo que só começaram a praticar exercício físico consistentemente aos 60 anos não observaram os mesmos benefícios que aquelas que começaram aos 50 anos, pois não houve acúmulo suficiente de atividade física para que os benefícios à saúde fossem evidentes por volta dos 70 anos.

O exercício regular não é uma receita nova para pessoas de meia-idade ou para pessoas de qualquer idade. Grandes estudos populacionais associaram a atividade física a um menor risco de morte, mas, surpreendentemente, poucos estudos de longo prazo acompanharam os efeitos do exercício na saúde à medida que uma pessoa envelhece. O estudo contribui para aumentar a evidência dos benefícios de manter ou adotar um estilo de vida ativo na meia-idade.

 

*O conteúdo desta matéria tem caráter informativo e não substitui a avaliação de Profissionais da Saúde.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do IstoÉ.

Referências Bibliográficas

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